Um ateneu libertário
Centro de Cultura Libertária da Amazônia
O AnarBib é carregado por um coletivo militante real, ancorado em um território, herdeiro de uma tradição.
Quem somos
O Centro de Cultura Libertária da Amazônia (CCLA) é um ateneu libertário situado em Belém do Pará, no Brasil amazônico. Nosso blog é o portal do movimento libertário do Pará.
Inscrevemo-nos em uma tradição longa: aquela das militâncias anarquistas amazônicas que, desde o final do século XIX, alimentam as lutas dos trabalhadores do norte do Brasil. Tradição irregular, ferida, parcialmente apagada pela repressão e pela esquerda institucional, mas viva.
O que fazemos
O CCLA reúne diversas atividades complementares, articuladas em torno de uma exigência política comum: difundir, transmitir, organizar.
A Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira (BLMF). Nossa biblioteca militante, batizada em homenagem ao companheiro Maxwell Ferreira, militante anarquista paraense. Ela hoje é a primeira biblioteca piloto da rede AnarBib.
A Editora CCLA. Edição militante de textos políticos, brochuras, materiais de formação. Em colaboração regular com Partage Noir, traduzimos textos clássicos do anarquismo internacional para o português brasileiro — recentemente, uma brochura sobre Erich Mühsam lida do ponto de vista das lutas amazônicas contemporâneas.
Recursos áudios e vídeos. AnarcoTube (canal vídeo), podcasts libertários, poesias anarquistas (por bzarro zangado), músicas libertárias do mundo. Um trabalho contínuo de produção e difusão cultural militante.
Mobilizações. Participamos das lutas políticas concretas que atravessam o Pará e a Amazônia: 1° de maio classista, 8M libertário, solidariedade internacional (Rojava, Irã), defesa dos rios e dos povos indígenas (luta contra a Cargill e o Decreto 12.600), apoio às greves dos trabalhadores plataformizados.
Anarco-História. Trabalho de pesquisa e resgate da história do movimento libertário paraense, frequentemente apagada pela historiografia oficial. Recentemente, artigo sobre os anarquistas negros em Belém (Almerinda Gama, José Da Silva Gama, Bruno De Menezes, 1910-1920).
História
As raízes (1875-1937)
O anarquismo chegou à Amazônia pela imigração, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX. A inauguração da colônia de Benevides em junho de 1875 marca o início desse fluxo migratório que traz portugueses, espanhóis, italianos, franceses, alemães, belgas, suíços. Já em maio de 1896, na ilha de Caratateua (Outeiro, distrito de Belém), os arquivos mencionam um imigrante que distribuía propaganda anarquista.
Nas duas primeiras décadas do século XX, Belém e Manaus viram desenvolver-se um movimento operário de tendência anarquista muito forte. A Conquista do Pão de Kropotkin servia de base à formação operária, ao lado dos textos de Bakunin, Malatesta, Ferrer y Guardia, Jean Grave e Reclus, mas também de mulheres anarquistas como Maria Lacerda de Moura, Maria Antônia Soares, Espertirina Martins, Angelina Soares — figuras frequentemente apagadas, cuja memória pertence a nós resgatar.
Em abril e maio de 1914, uma grande greve em Belém reuniu sapateiros, carroceiros, estivadores e outros ofícios. A repressão estatal foi pesada — prisões, apreensões. Em 1937, sob o Estado Novo de Vargas, o anarcossindicalismo refluiu: os sindicatos foram regulados pelo Estado, e nossa corrente entrou em isolamento.
A refundação moderna (1989-2001)
Na virada dos anos 80-90, nas lutas estudantis paraenses, um novo ciclo de militância anarquista reconstitui-se. O Movimento de Conscientização Popular (MCP), o Núcleo da Confederação Operária Brasileira (COB), a Juventude Libertária reaparecem em Belém. Em 1991, fundamos o Coletivo Ovelha Negra na Universidade Federal do Pará, com seu jornal Ovelha Negra.
Em 1992, na ocupação Na Morada da Arte, no centro de Belém, fundamos o Centro de Cultura Libertária (CCL) — ancestral direto do CCLA atual. Durante a década de 90, o CCL torna-se um espaço de referência do anarquismo paraense, formando companheiros e companheiras das lutas. É também ali que militou Maxwell Ferreira, em homenagem a quem será depois nomeada nossa biblioteca.
Em 1998, sediamos em Belém o congresso fundador da Organização Socialismo Libertário (OSL). Em 1999, lançamos a Resistência Popular Amazônica (RPA). Esses dois projetos conheceram um refluxo nos anos 2000-2001, em paralelo a uma desorganização mais ampla da militância anarquista organizada no Brasil.
A refundação atual (2013 até hoje)
Após uma década de refluxo, é nas lutas contra a barragem hidrelétrica de Belo Monte (2012) e no Movimento Passe Livre (2013) que a militância anarquista paraense se rearticula.
No 1° de maio de 2013, fundamos a Biblioteca Libertária Maxwell Ferreira (BLMF). No 30 de novembro de 2013, fundamos o Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC), em articulação com a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).
O CCLA prolonga hoje esse trabalho, na continuidade humana e política do CCL dos anos 90 — muitas das companheiras e companheiros atuais são também aqueles e aquelas daquela época. É essa continuidade, pacientemente mantida durante mais de trinta anos, que carrega o projeto AnarBib.
O AnarBib e o CCLA
O AnarBib não é um produto descido do céu. É a ferramenta que o CCLA precisa para sua própria biblioteca, a BLMF, e que decidimos compartilhar como software livre com outras bibliotecas militantes anarquistas do mundo.
A BLMF é assim a primeira biblioteca piloto da rede AnarBib. As escolhas técnicas, as escolhas editoriais, as escolhas políticas que estruturam o software vêm de um uso real, em uma biblioteca real, frequentada por leitoras·es·s reais. Não é desenvolvimento abstrato — é trabalho documental militante encarnado em um coletivo.
Esse ancoramento explica também por que o português brasileiro é a língua de referência do projeto, e por que o multilinguismo é assumido como princípio: outras bibliotecas militantes anarquistas existem, em outros lugares, em outras línguas. Que se juntem à rede sem ter de adotar a nossa língua é um princípio político central do AnarBib.
Nos encontrar
Privilegiamos as plataformas livres e militantes. As plataformas comerciais são utilizadas para difundir mais amplamente, mas não são onde se desenrola a vida do coletivo.
Site e blog — cclamazonia.noblogs.org
Hospedado em Noblogs (Autistici/Inventati). É lá que encontram-se os textos políticos, os anúncios de mobilização, os artigos históricos, os comunicados.
Mastodon — @CCLAmazonia@kolektiva.social
Em Kolektiva.social, instância anarquista do Fediverso. Para acompanhar nossa atualidade.
KolektivaMedia — kolektiva.media/a/cclamazonia
Nossa presença vídeo em uma instância PeerTube militante.
FunkWhale — open.audio/channels/leituras_anarquistas
Nossas leituras anarquistas em uma plataforma livre de áudio.
O CCLA também está presente no Facebook, YouTube, Instagram e BlueSky para uma difusão mais ampla — esses canais não são onde se desenrola a vida coletiva.